Autocaravana pelo Centro de Portugal: Roteiro de 7 dias

Dia 1: Lisboa – Coruche – Praia Fluvial do Gameiro

Já percebemos que nas nossas viagens de autocaravana há pelo menos uma constante: fazer pouca coisa no primeiro dia! 😅
Quando se vai buscar a autocaravana, é sempre um processo demorado! Fazer perguntas, assinar o contrato de aluguer e experimentar a condução.
Portanto, a nossa primeira paragem foi Coruche. Almoçámos no Restaurante Santo Gula, cuja qualidade da comida e decoração são fantásticas! No entanto, tenham cuidado com a demora do serviço! Disseram-nos que foi um incidente por falta de pessoal na altura, mas nunca se sabe.

Restaurante Santo Gula - Coruche, Portugal
Restaurante Santo Gula – Coruche, Portugal

Não ficámos em Coruche para explorar, mas é uma região bastante conhecida pelos Vôos de Balão de Ar quente. Se tiverem curiosidade em experimentar, podem comprar bilhetes em baixo.

Depois de almoço, seguimos directos para o Parque Ecológico do Gameiro, onde existe um parque de campismo com Estação de Serviço de Autocaravanas. É nesse Parque Ecológico que estão incluídos os Passadiços do Gameiro e a Praia Fluvial do Gameiro, onde passámos o resto da tarde a relaxar!

Dia 2: Passadiços do Gameiro & Praia Fluvial do Gameiro

Como o calor começava a apertar logo desde cedo, decidimos percorrer os Passadiços pela manhã “mais fresca”. Ao longo de 1.5km de passadiços podem ver-se cartazes com informação sobre as flores e plantas que existem à volta, bem como sobre os pássaros que ali residem. Infelizmente não conseguimos distinguir nenhum pássaro diferente!

Para compensar vimos e comemos umas amoras selvagens!
Depois durante a tarde ficámos a ler os nossos livros, e a refrescar na Praia Fluvial, e ao entardecer percorremos a primeira parte do trilho da Zona do Montado, antes de ir fazer o jantar na nossa bela autocaravana. Se decidirem fazer o trilho todo (como os Vagamundos fizeram), este é circular e tem uma extensão total de 5.5km, como podem ver no mapa em baixo.

Final dos Passadiços do Gameiro

Dia 3: Marvão

Após o check-out no Parque de Campismo do Gameiro, seguimos para Marvão, para explorar a vila, e ter vista sobre a Serra de S.Mamede.

Vista de Marvão sobre Serra de S.Mamede
Vista de Marvão sobre Serra de S.Mamede

As ruas estavam muito calmas, não só pelo calor, mas também pelo efeito da pandemia.

Centro Marvão
Centro de Marvão
Entrada de Marvão
Entrada de Marvão
Ruas de Marvão
Ruas de Marvão (com muitos detalhes acolhedores)

Ainda assim, algumas lojas de rua estavam abertas, e conseguimos comprar dois queijos de Nisa (localidade perto de Marvão), um de cabra e outro de ovelha. Eram tão saborosos!
À noite deliciámo-nos com esta iguaria à luz das velas, numa mesa de pedra exterior que encontrámos no parque onde pernoitámos, mais perto de Monsanto. Neste parque existia uma fonte de água potável, e casas de banho públicas!

Parque de Pernoita perto de Monsanto

Dia 4: Praia Fluvial do Pego – Albufeira de Penha Garcia

Arrisco-me a dizer que a Praia Fluvial do Pego foi o nosso sítio favorito da viagem! Faz parte do Geopark Naturtejo, que é um Geoparque Mundial da UNESCO que inclui a os concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão.
Ao chegar, vê-se logo uma “piscina natural” regada por uma cascata, de água refrescante e de óptima qualidade! Tem dois “fósseis” feitos de material reutilizado presos ao fundo da piscina, para os mais pequenos se entreterem, e caixotes de lixo espalhados pela área muito bem disfarçados (pintados com cor de madeira).

Numa zona mais recôndita, continua a correr um curso de água com poças mais pequeninas, que faz-nos sentir como se estivéssemos naqueles pântanos cheios de vida animal, com muita vegetação e sombra à volta.


Para quem não apetece estar só quieto, sugerimos que façam uma caminhada pelas rochas que sobem até à Casa do Moleiro. É uma caminhada curta, mas vão ver duas construções em pedra muito giras, e têm uma vista incrível sobre a cascata! Existem outras rotas mais extensas que por ali passam, tais como a Rota dos Fósseis.

Casa do Moleiro


O local de pernoita que escolhemos para este dia foi o único em toda a viagem em que ficámos completamente “ao relento”, e foi uma experiência incrível! Fomos para a Albufeira de Penha Garcia, onde basicamente temos a albufeira e descampado com árvores à volta, que ajudam a dar conforto e privacidade ao acampamento. Ouvimos outros campistas, mas na verdade estavam longe o suficiente para não os vermos! Montámos a cama de rede e a mesa lá fora, e assim fizemos a festa!

Quando a noite se instalou tivemos uma vista maravilhosa do céu todo estrelado com a lua, sem qualquer poluição luminosa de civilização! Guardámos este cenário épico na nossa cabeça, pois não vos vamos mentir que a certa altura tivemos receio quando estávamos na cama de rede expostas, pois ouvíamos barulhos que não conseguíamos identificar (podiam ser javalis!!), e aí fomos para dentro da autocaravana 🙄😅.

Dia 5: Monsanto – Vila Velha de Ródão

Depois de tomarmos um pequeno almoço super tranquilo à beira da Albufeira de Penha Garcia, fomos visitar Monsanto.

Alerta Autocaravana:

Para visitar Monsanto, aconselhamo-vos a estacionar a autocaravana num pequeno parque de estacionamento que existe na subida para a aldeia, perto do Posto Territorial de Monsanto da GNR.

Parque de Estacionamento – Posto Territorial de Monsanto da GNR


Conhecida como a aldeia mais portuguesa de Portugal, tem um encanto muito único por incluir as rochas grandes e redondas (que parecem ovos de dinossauro!) nas construções da freguesia, o que demonstra a preocupação em manter o património ambiental envolvente. 🙂

Paisagem Monsanto
Ruas Monsanto


Desta vez as ruas estavam bem mais vazias, e inclusive a Taverna Lusitana onde conhecemos os deliciosos Pastéis de Cereja, não estava aberta! Mas aproveitámos para conhecer outros destaques, como a Torre de Lucano.

Torre de Lucano Monsanto


Apesar de não o termos feito desta vez, aconselhamos vivamente a que subam até ao Castelo de Monsanto, e aproveitem para ver os vários pontos de interesse em volta, como no mapa em baixo:

Guardem algum tempo para fazer esta caminhada, e tentem evitar a hora de maior calor! Mas não deixem de a fazer, pois dá para testemunhar paisagens incríveis à volta! Montanhas e verdura, ao perto e ao longe!

Deixámos Monsanto, e seguimos para Vila Velha de Ródão, onde existe um Parque para Autocaravanas incrível! Tem imenso espaço e sombra, e serviço de águas! Tanto para despejo, como para abastecimento, inclusive de água potável.

Parque de Autocaravanas Vila Velha de Ródão


Como ainda estava muito calor e era cedo para jantar, decidimos ir experimentar as Piscinas Municipais de Vila Velha de Ródão, que nos impressionaram pela positiva! Tinham umas condições de higiene e segurança fantásticas, e uma localização com vista incrível sobre o rio e o vale que forma as Portas de Ródão.


Depois de refrescar, nada melhor que um jantar debaixo do toldo da autocaravana, com um gato vizinho, e velas anti-mosquitos! 😅

Dia 6: Portas de Ródão – Praia Fluvial do Penedo Furado – Vila de Rei

Neste dia acordámos cheias de energia, motivadas pelo passeio de barco que atravessa o monumento natural das Portas de Ródão! Foi um passeio de 1h que sai do cais da Vila e atravessa as Portas, onde podemos observar a imponência da Natureza, os ninhos de Grifos (a ave residente da zona e que é bastante comum de se ver!) e o Castelo do Rei Wamba. É uma paisagem incrível, principalmente quando desligam os motores do barco! Essa foi a parte que menos gostámos – talvez a Câmara Municipal pudesse investir em barcos semelhantes aos Moliceiros de Aveiro, com uma propulsão que não a motor.
Neste passeio passámos por uma pequena ilha que faz parte do Trilho das Minas do Ouro, um trilho circular de 10km, que infelizmente não pudemos percorrer, mas queremos lá voltar!

Depois de almoço partimos para Vila de Rei, e fomos directas à Praia Fluvial do Penedo Furado! Para estacionar é um bocado complicado, visto que tem um parque de terra numa estrada que desce até à praia aos S’s, mas visto que a praia não tem uma lotação muito grande, consegue-se arranjar lugar (e nós estamos a falar de um bicho de 7.5m! 😂).
Quando finalmente se chega à praia, vê-se um areal criado artificialmente (com terra e pedras da zona claro!), umas casas de banho públicas e um restaurante/bar. Entre o areal e o monte rochoso em frente, temos água muito límpida, de pouca profundidade, mas a suficiente para tomarmos banho, que segue pelo vale e acompanha os Passadiços mais à frente. A “zona de banhos” esta delimitada lateralmente por cascatas de pequena dimensão, o que parece transformar a zona numa espécie de “piscina artificial”.

Por mais curiosas que estivéssemos, decidimos deixar os Passadiços para o dia a seguir, e ficámos a refrescar-nos até ao final da tarde. 🤤
Terminámos este belo dia com um jantar no maravilhoso restaurante “O Cobra“, que recomendamos vivamente! O serviço foi fantástico, muito atenciosos, e a qualidade da comida é divinal! Para quem gosta de provar a delícia local que são os Maranhos, não vai ficar desiludido! E o bacalhau à Brás deles, é de ficar na memória mesmo…E para sobremesa, têm mesmo de pedir o Pudim! Para além de um pudim delicioso recebem figo com canela, sorbet de limão e um copo de Porto Branco! Nós ainda tivemos sorte de receber uma amostra da Tarte de Natas, pois chegámos ao restaurante a perguntar se tinham, e havia um resto pequenino que já não podia ser servido como dose e foi-nos dado.
E foi assim que fomos para a penúltima noite na autocaravana, de barriga cheia. 🙂

Dia 7: Passadiços do Penedo Furado – Miradouro do Penedo Furado – Praia Fluvial do Penedo Furado

Neste último dia completo de férias, fomos conhecer os mais recentes e famosos Passadiços do Penedo Furado, que têm início exactamente na Praia Fluvial do Penedo Furado. O Município de Vila de Rei criou estes passadiços com o intuito de permitir um melhor acesso entre a Praia Fluvial do Penedo Furado e a zona das quedas de água. São passadiços pequeninos, com apenas 532 metros de extensão linear, e terminam num pequeno trilho que nos leva à Cascata mais conhecida desta zona!

Tem zonas do percurso muito bonitas, mas gostávamos de ter aproveitado o mesmo com menos pessoas. Apesar da pandemia, estavam lá muitas pessoas, pois provavelmente muitas tiveram a mesma ideia! Nos passadiços vimos a indicação de trilhos pedestres, entre eles um que parece ser muito famoso, o Trilho das Bufareiras, que gostaríamos de ir percorrer numa próxima vez!


Durante o resto da tarde estivemos na Praia a relaxar, a fazer piquenique, e a jogar às cartas! No final da tarde, antes de regressarmos para o parque de pernoita, fomos até ao Miradouro do Penedo Furado, que tem uma vista deslumbrante sobre a Praia, os Passadiços, e toda a natureza envolvente! É uma vista que resume muito bem toda a beleza que ali está!

No dia seguinte simplesmente fizemos o regresso a Lisboa, pelo que não vale a pena incluir no itinerário.

Em conclusão, foi uma semana de caravanismo muito bem passada por algumas das zonas mais verdes e mais bonitas do Centro de Portugal! 🙂 O que levamos desta experiência é:
– Que infelizmente ainda havia muita coisa fechada devido à pandemia, como restaurantes, lojas de comércio local, parques de campismo;
– Que queremos voltar para fazer os trilhos que fomos passando;
– Que Portugal tem cada vez mais Infraestruturas prontas e acessíveis para o caravanismo saudável e respeitoso, e isso é óptimo!
– As zonas turísticas cada vez envolvem e respeitam mais a Natureza;

Para quem gostaria de conhecer algumas destas paragens tais como Marvão, Castelo de Vide ou Vila Velha de Ródão, e não tem transporte próprio, sugerimos a tour privada que parte de Lisboa no widget em baixo:

Esperamos que este roteiro vos ajude a planear onde pernoitar com a vossa van, autocaravana ou overlanding, e que vos permita saber melhor o que ver no nosso belo Centro de Portugal! Alguma dúvida, não hesitem em entrar em contacto connosco! 🙋‍♀️🌿

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